quarta-feira, 3 de setembro de 2025

#011 O fim da monarquia e o início da República - Os bestializados

O fim da monarquia e o início da Republica.  Texto baseado na obra de José Murilo de Carvalho, Os Bestializados.

A passagem da monarquia para a República no Brasil, em 15 de novembro de 1889, não pode ser entendida sem levar em conta o contexto da crise do sistema escravista e das transformações sociais que marcaram o final do século XIX. O Segundo Reinado, sustentado durante décadas pela economia agrária e escravista, entrou em colapso após a abolição da escravidão em 13 de maio de 1888, com a assinatura da Lei Áurea. A libertação dos cativos, embora um marco civilizatório, não foi acompanhada por políticas públicas de integração social ou econômica dos ex-escravizados. A elite agrária, ressentida por não ter sido indenizada, rompeu seu apoio à monarquia, enfraquecendo ainda mais Dom Pedro II.

Nesse cenário, ganha destaque o papel da mão de obra imigrante. Desde a década de 1870, o governo imperial já incentivava a vinda de trabalhadores europeus, sobretudo para São Paulo, sob a justificativa de suprir a carência de mão de obra nas lavouras de café. No entanto, a substituição do trabalhador negro escravizado pelo imigrante europeu não se deu apenas por motivos econômicos. Havia também uma forte dimensão racial e ideológica: as elites defendiam que a chegada de europeus “brancos” contribuiria para o processo de “modernização” e até mesmo para o embranquecimento da população, em sintonia com teorias raciais do século XIX que associavam o progresso ao branqueamento da sociedade.

Enquanto isso, a população negra liberta foi deixada à margem. Sem acesso à terra, ao crédito ou a políticas de inclusão, muitos ex-escravizados foram empurrados para atividades informais, para o subemprego urbano ou simplesmente para a marginalização social. Esse quadro contribuiu para aprofundar as desigualdades raciais que ainda marcam a sociedade brasileira.

É nesse ponto que a análise de José Murilo de Carvalho, em Os bestializados, torna-se ainda mais relevante. Ao investigar o comportamento do povo do Rio de Janeiro diante da proclamação da República, o autor revela como a maior parte da população — em grande medida composta por negros libertos, pobres e trabalhadores urbanos — permaneceu alheia ou indiferente ao novo regime. A palavra “bestializados” traduz a sensação de exclusão: para esses grupos, a mudança de monarquia para República não representava transformação real em suas condições de vida.

Assim, embora a República tenha surgido sob o discurso de modernidade e progresso, ela nasceu com um paradoxo social e racial: de um lado, celebrava-se a chegada do imigrante europeu como símbolo de um Brasil mais “civilizado”; de outro, relegava-se a população negra a uma cidadania de segunda classe. O golpe de 1889, conduzido por militares e elites, consolidou um regime que, em sua origem, manteve práticas excludentes e não integrou amplamente a maioria da população.

Portanto, a transição da monarquia para a República não foi apenas um episódio político, mas também um reflexo das tensões raciais e sociais do fim do século XIX. A exclusão dos negros libertos e a valorização do imigrante europeu demonstram que o novo regime nasceu marcado por desigualdades profundas. A obra Os bestializados evidencia esse abismo, mostrando que, para a maioria do povo brasileiro, a República chegou não como conquista, mas como uma realidade distante e pouco transformadora.


Questão 1 – Crise da mão de obra escrava

No contexto da transição do Brasil Império para a República, a abolição da escravidão em 1888 representou:

A) A imediata inclusão social e econômica dos ex-escravizados por meio de políticas públicas.
B) O fim do apoio da elite agrária à monarquia, já que não houve indenização aos proprietários de escravos.
C) A valorização do trabalho negro no campo, considerado essencial para o progresso agrícola.
D) A manutenção do regime monárquico como forma de preservar a ordem social após a Lei Áurea.


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Questão 2 – Imigração e trabalho livre

A política de incentivo à imigração europeia no final do século XIX estava relacionada principalmente:

A) À substituição da mão de obra escrava pelo trabalho assalariado e ao ideal de “embranquecimento” da população.
B) Ao desejo de atrair trabalhadores estrangeiros para reforçar o regime monárquico.
C) À valorização da cultura africana e ao reconhecimento do papel dos ex-escravizados na economia.
D) Ao esforço republicano de integrar imigrantes e negros libertos em condições de igualdade.


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Questão 3 – Questão racial

Após a abolição, a população negra no Brasil:

A) Foi amplamente incorporada às lavouras de café como mão de obra assalariada.
B) Recebeu terras do governo como forma de indenização pela exploração sofrida.
C) Foi marginalizada socialmente, sem acesso a políticas públicas de inclusão, enquanto imigrantes europeus eram valorizados.
D) Ocupou os principais cargos políticos durante a Primeira República, consolidando sua participação cidadã.


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Questão 4 – Transição da monarquia para a República

A proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, caracterizou-se por:

A) Uma ampla mobilização popular liderada por ex-escravizados e trabalhadores urbanos.
B) Um golpe militar que não contou com a participação efetiva da maioria da população.
C) A consolidação da democracia, com voto universal e participação cidadã plena.
D) Um movimento popular espontâneo em defesa da continuidade da monarquia.


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Questão 5 – O livro Os bestializados

Na obra Os bestializados, José Murilo de Carvalho defende que a população do Rio de Janeiro, diante da proclamação da República:

A) Participou ativamente do movimento, sendo decisiva para a queda da monarquia.
B) Demonstrou forte engajamento político, apoiando o novo regime republicano.
C) Manteve-se alheia ou indiferente, “bestializada”, sem compreender ou participar do processo político.
D) Foi amplamente beneficiada com políticas sociais do governo republicano, o que aumentou sua cidadania.

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